O Sofrimento de Jesus: uma resposta ao nosso sofrimento

O sofrimento humano é algo que sempre incomoda. Entender porque sofremos ou qual o sentido da nossa dor precisa ser analisado a partir da vida de Jesus Cristo. Diante do nosso incômodo com o sofrimento, a melhor e mais completa resposta a todas as nossas perguntas é encontrada no sofrimento de Jesus Cristo.

O sofrimento de Jesus – tanto na cruz quanto em sua vida ministerial – é a resposta concreta de Deus a todas as nossas perguntas. 

Na cruz de Cristo, Deus, que assumiu a nossa humanidade, sofreu nossa dor. Na cruz, o sofrimento resultante do pecado humano torna-se o meio da salvação humana. 

Em outras palavras, o sofrimento humano torna-se instrumento do amor divino. A cruz é a resposta final de Deus às nossas perguntas sobre o sofrimento humano, e é assim de pelo menos três maneiras.

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O sofrimento de Jesus e a permissão de Deus

Primeiro, o fato de que Jesus sofreu – e sofreu de forma profunda – nos mostra que Deus permite o sofrimento daqueles que ama. 

Quando sofremos, seja de uma doença grave ou de alguma outra tragédia, às vezes somos tentados a pensar que nosso sofrimento significa que Deus não nos ama. Muitas vezes acreditam que o sofrimento é uma punição de Deus, ou que o Pai nos rejeitou ou nos abandonou. 

Na verdade, o sofrimento de Jesus mostra que essas respostas são falsas. O que o sofrimento de Jesus significa? Na verdade, aprendemos que o sofrimento de Jesus nos revela que Deus Pai permitiu que seu Filho unigênito sofresse o pior dos tormentos. Se Cristo sofreu, por que nós também não podemos sofrer? Por que subestimamos nossa capacidade de enfrentar o sofrimento? 

No entanto, como a ressurreição afirma em alto e bom som Deus o Pai não rejeitou o Filho, nós que “morremos” com Jesus na cruz também somos participantes de sua ressurreição. Ou seja, temos a esperança que em sua vinda, o problema do sofrimento será resolvido completamente.

Mas enquanto vivemos neste mundo, o sofrimento nos assola. E diante disso, o sofrimento de Jesus nos ensina que na dor e na angústia nós temos a garantia da presença de Deus. Temos a esperança viva que na Glória, não existirá nenhuma lágrima. 

Ou seja, Deus não nos rejeita ou nos abandona quando sofremos. Nosso sofrimento significa que Deus nos abandonou? não! Longe de significar que Deus não nos ama, na verdade significa o oposto. Quando sofremos, Deus Pai está nos tratando da mesma maneira que tratou Jesus. 

Isso é confirmado para nós na Carta aos Hebreus: “Suportai as vossas provações como ‘disciplina’; Deus os trata como filhos. Pois que ‘filho’ há a quem seu pai não disciplina? ” (Heb. 12: 7).

O sofrimento de Jesus e o nosso sofrimento

Em segundo lugar, o sofrimento de Jesus nos mostra que Jesus compartilha de nosso sofrimento. Jesus é o Emmanuel. Seu nome é Deus conosco. 

No mistério da Encarnação, Deus veio habitar entre nós. Jesus, o Filho eterno do Pai, é totalmente divino, mas também totalmente humano. Ele compartilha nossa vida e experiência humanas e é como nós em todos os sentidos, exceto no pecado (veja Hb 2: 10-18, 4: 14-16). 

Em Jesus, Deus entra na totalidade da experiência humana e, portanto, é capaz de “compadecer-se das nossas fraquezas” (Hb 4:15). Jesus está conosco como um irmão que passou por tudo o que passamos, exceto pelos nossos pecados.

Ou seja, Jesus está conosco e se faz ainda mais presente em nosso sofrimento. Segundo a Carta aos Hebreus, “Porque ele mesmo foi provado pelas coisas que sofreu, ele pode ajudar os que estão sendo provados” (Hb 2,18). 

Lembremos: o Filho de Deus veio a esta terra e viveu uma vida humana. Mesmo sendo Deus, Ele foi tentado pelo diabo. No deserto, nosso Mestre passou por várias privações e não se rendeu ao pecado. Jesus também sofreu.

Na verdade, Cristo veio ao mundo para sofrer conosco e por nós. Ao assumir o sofrimento humano, Jesus une o nosso sofrimento ao seu. Ao se submeter ao sofrimento e à morte, Jesus venceu o sofrimento e a morte em nosso favor.

Somos participantes do sofrimento de Jesus

Podemos dizer que o sofrimento de Jesus responde à questão do nosso sofrimento. Isso porque Ele sofreu por nós, mas também nos convida a sofrer com ele. 

Na Carta de Paulo aos Colossenses, lemos: “Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e na minha carne estou preenchendo o que falta nas aflições de Cristo por parte do seu corpo, que é a Igreja” (Colossenses 1:24). 

Do mesmo modo, Pedro, em sua carta nos exorta: “Alegrai-vos por participar nos sofrimentos de Cristo, para que, quando a sua glória for revelada, também vos alegres exultantes” (1 Pe 4: 13). 

Esses dois grandes apóstolos nos ensinam que nosso sofrimento pode estar unido ao sofrimento de Cristo. 

O próprio Jesus convidou os seus seguidores: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mateus 16:24).

Isso significa que Jesus convidou seus discípulos a se tornarem participantes do seu sofrimento. De fato, para sermos participantes da sua glória, temos que provar do seu sofrimento.

Como vimos logo acima, Pedro e Paulo se alegram com o seu sofrimento porque, participando do sofrimento de Cristo, esperam compartilhar o resultado desse sofrimento: a glória da sua ressurreição. 

Para resumir, Jesus nos dá a honra de permitir nossa participação em sua obra salvadora, quando recebemos seu convite de tomar nossa cruz e sermos participantes do seu sofrimento. Nossa dor pode se tornar parte da redenção que ele realizou.

O sofrimento de Jesus é a resposta final. Ele sofre conosco e por nós. Ele sofre para realizar a redenção do mundo. E ele nos convida a participar dessa redenção, participando de seu sofrimento e, portanto, de sua glória eterna.

Que o sofrimento de Jesus nos ensine: assim como Ele sofreu, nós também sofremos. Mas assim como Ele ressuscitou e participou da glória de Deus, nós também teremos toda lágrima enxugada!

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